A oração libera Deus

domingo, 27 de outubro de 2019

Quando desabafamos nossas derrotas e as do mundo em nossas orações,
E nos recusamos à resignação do mal, demonstramos "fé na terra"
Quantos podem passar, antes que nossas orações tenham resposta?
Gerações inteiras. Quantos judeus morreram enquanto oravam por um futuro melhor? Milhões definharam em campos prisioneiros antes das cortinas de ferro se desfizessem. Quantos cristãos ainda sofrerão, enquanto fora dos muros ocorrerão avivamentos, ganhando força? E numa perspectiva individual, quantos vitimados pelo abuso, imploram pela cicatrização de suas feridas e acordam meia
noite, sentindo os mesmos machucados?
E todos os dias, essas pessoas se levantam para lutar de novo, as mesmas batalhas.sem trégua. Será que Deus está ouvindo estas orações?
Deixa eu lembrar somente que esses fatos é que têm levado essas pessoas a orarem com persistência.
O mal aparece como uma enorme e forte grade de ferro. A oração bate nela como um grande martelo, dando golpes. As portas não avançam. Elas esperam o ataque.
E nossas orações podem parecer tão insignificantes quanto os golpes de martelo nessa grade. Mas a promessa de Jesus é nossa! As portas do inferno não prevalecerão. Certamente cairão. Partirão em mil pedaços. É qundo entenderemos que a oração libera Deus. E que Ele é!

Dúvida poética

Às vezes, na maioria das vezes, um domingo.
Algumas palavras fogem.
Outras zombam, judiam:
A solidão, a ironia, a insensatez.
Eu nem respondo. É num domingo mesmo. Quando você pára. Mas que descanso? Se a seu lado, ninguém!
Amém é a oração.
Dizer por quê?
Não há perfume. Só o odor do gaz, o fogão está ligado . Há café, pão, manteiga. Não falta comida. O que falta é amor!
Ah, solidão que dói, que queima, que destrói!
Vai embora. A salvação é o livro. Talvez me encontrem outras palavras. Que me revistam, me levantem. É...todo domingo passa. A semana segue. A vida segue.

RETALHOS

Eu me retalho em pedaços aços de mim, para percorrer meus espaços e tornar- me igual a cada um!
Cada um que me passa, me visita, me irmana.
Sou retalho de toda cor e me orgulho da ornamentação humana de que sou feita. Se não enfeita o racista, o preconceituoso, que pena! Porque existe uma beleza na diversidade que nos completa: a diferença! Ela forma uma crença singular que nos iguala! Somos todos de carne e osso. Posso repetir: somos todos de carne e osso. Teremos todos o mesmo fim humano: a morte! Mas isso nos dá um norte, diante de tal fragilidade: diferentes ou não, a vida, tão curta, é pra ser vivida com intensidade e amor. De toda cor, toda raça, toda garra. Todo mundo defendendo a diferença e lutando pela igualdade. Afinal, "depende de nós", esse mundo ainda ter jeito.
O convite está aberto.
Mais um ano de alerta! Ou Você garante a diversidade, ou assina a ignorância! Deixando no ar o perfume da igualdade ou a fragrância da incompetência. De toda forma, é uma escolha. Eu escolhi ser diversa e única!
Em retalhos.

Negociação

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Às vezes me pego pensando...em como tentamos negociar com Deus, nas orações.
Penso em Abraão naquela tentativa de livrar seu sobrinho Ló.
Ele sabia de sua parceria com Deus, qual o seu papel nela.
Às vezes chamamos de voto ao Senhor. E nem sempre cumprimos à nossa parte!
Mas o fantástico nessa oração de Abraão, é que conseguiu do senhor o que queria: a salvação de seu sobrinho.
O interessante nesta oração, é que sempre me pergunto, o que teria acontecido, se Abraão tivesse continuado orando? Se ele tivesse sido um negociador mais duro e perseverante? Teria conseguido a salvação de toda uma cidade?
Deus era tão rápido em concordar com cada ponto!
E fico a pensar se Ele não estava esperando apenas que Abraão fosse ousado o bastante, para expressar um instinto de misericordia tão profundo como a de si próprio?
Só sei da grandeza de sua paciência e fidelidade.
E perdoa a nossa rebeldia e iniquidade. E gosta de nosso apelo à sua misericórdia.
Pai, salva nossa nação, por amor aos justos que há nela!

MAIS DO QUE SUFICIENTE

Nunca fui no colo do meu pai. Ele impunha uma imagem de respeito, que ultrapassava a intimidade.
E cresci tendo dificuldade de ir ao colo de Deus, de adentrar seu quarto, me aconchegar no seu leito, dormir em oração.
Mas Jesus também salvou esta situação. Toda vez que o vejo com Pedro em Tiberiades, conversando sobre o amor...eu ocupo o lugar de Pedro. Me imagino segurando às mãos do mestre, e lhe dizendo:
- Senhor, tu sabes se te amo!
E me vejo no colo do pai: " quem vê a mim, vê o pai que me enviou".
"Ninguém vem ao pai senão por mim"!
Isso tudo, essa forma de orar, neutraliza minha solidão. Tenho aprendido a me comprometer. A entender que Ele, me é mais do que suficiente.

Memória afetiva da leitura

sábado, 28 de setembro de 2019

Minha primeira memória de leitura, foram as histórias contadas pela minha mãe: Pele de burro, João e Maria, Bom e Ruim, Moura torta, entre outras do gênero.
Depois vieram os textos da escola. Na terceira série, "o menino triste" comoveu meu coração. E fui aprendendo que as palavras constroem lindos esconderijos. Encontrei-me com Bentinho, Capitu, Iaiá Garcia, Helena, Iracema, garota de Ipanema, Inocência, Tieta, Gabriela, o mundo crescendo: favelas, bairros nobre, problemas de adolescência e parti para livros sobre a psicologia, sobre a auto ajuda, e a palavra sagrada! A leitura me formou, me transformou, me equilibrou.
As histórias de amor, policiais, dramas e tragédias...me serviram de estratégias para a sanidade, para a distração e a aprendizagem da vida.
Há afetividade em nossas memórias literárias. Quem não sente saudade de dona Benta? Quem não se apaixonou pelo galã da novela favorita?
Quem não torceu pelo protagonista do seu romance? Quem não leu "Crime e "Castigo e não se impactou com a subjetividade? E quem leu Senhora,que não tenha torcido pelo final feliz?
O que dizer dos miseráveis? A injustiça magoa e fere a alma. Transforma personalidades. E não há família que não se comova ou se enquadre aos "Éramos seis "
O Ateneu, o Alienista, Quincas Borba ou Memorias póstumas, todas são histórias com contextos de tempo, de raças e classes. Amostras da vida. Vivida, sonhada, sofrida...afetos que se somam às nossas vivências.
O crime do padre Amaro me fez chorar. A cabana do pai Tomás também. A normalista me comoveu. E o Fogo morto me apresentou Lins do Rego. Corri atrás dele em palavras. Li sua coleção. E me encantei. Encontrei "o mar morto" , Capitães de areia, Dona Flor, Gabriela. E aprendi a misturar a Cinderela, bela adormecida, Branca de Neve e demais contos infantis, nesses afetos textuais!
Foi privilégio encontrar todo esse acervo. As secundinos e Luizas da vida passaram por mim. E me apresentaram esses encantados mundos. Proporcionaram um grande prazer: a leirura, aventura de palavra e fé!
É o legado que também quero deixar: afeto de livro, de texto, de palavras. Para meus filhos, meus alunos, todos que cruzarem minha estrada. Uma memória afetiva de leitura.
Boniteza de arte. Sagrada forma de ser!

Esperançamento

Hoje eu ouvi esta palavra.
Não a primeira vez.
Mas hoje ela teve um valor diferente. Busquei analisa-la.
Não é uma simples espera.
É um lançamento de fé. Cimento e concreto alicerce motivador: esperança é algo divino.
Eu diria que é como o sopro de vida pelo Espírito Santo, no santo coração que nos deu.
Eu gardei esta palavra no meu coração. Ela pode ser remédio para os dias tristes.
Também pela relevância e referência de quem a presenteou.
Foi como semente de trigo na seara do senhor.
Alimentei-me!

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