Carta à Cecília

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

 Querida amiga das palavras,

portanto, minha amiga!

Hoje li alguns trechos

seus que me comoveram

o coração: você diz que

aprendeu com as primaveras,

a deixar-se cortar e a voltar

inteira, sempre!

Achei tão linda essa entrega

à necessária dor do cotidiano,

para melhorarmo-nos!

E quando dizes que nunca

fez esforço para ganhar nem

se espantou pelo poder, sentí-me

tua irmã! Porque também

concordo que um instante 

é bastante para a vida toda!

Obrigada, porque certamente

as tuas palavras derivaram

algumas minhas. Me motivaste 

a cantar a poesia com a certeza

de que a razão não é tristeza

nem alegria. Simplesmente poesia.

A canção é tudo, aprendi.

Pois tem sangue e asas ritmadas.

E quando estiver muda,

Outros cantarão, nossas palavras!

Ano atípico(2020)

 Houve inverno e verão?

Só lembro que não houve

outono ou primavera.

A cada aniversário

oramos à distância,

e desejamos" felicidades"

pelas redes sociais.

A cada chuva, um riso

de esperança, pensando

possibilidades da água 

corrente,levar o indesejado

invisível!

Houve inverno, sim!

Lembrei do alimento do inimigo.

Mas, e o verão?

Ouvirão a quem pregue

esta esperança? O outono 

subsistirá sozinho?

Os frutos já estão escassos.

É preciso novas flores.

Novas folhas, novo tempo,

esperamos um ano típico

de muita fé! Dois mil e vinte

e um...

Poesia interrogativa

 Alguém pode aconselhar

o mar e convencê-lo a

ser mais compreensivo?

Podem me responder

por que tantas rugas

acompanham os anos?

por que se formam buracos

nas rochas e nas estradas?

E por que às vezes

caímos no próprio caminho?

Será preço ou consequência?

Que diferença haverá

entre resultado e castigo?

Que ciência me instruirá

da vida, se desmedida

 a vivo,  sem saber viver?

As respostas que procuro,

virão, ou tenho de encontrá-las

sozinha? Será por isso,

tanta solidão?

Acordo às vezes no meio

da noite, sem ter adormecido.

E durmo às vezes pela tarde,

sem ter acordado de manhã.

Quem me desvira desse avesso?



Dentro da gente

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

 Dentro da gente

está um mundo

do tamanho que a

gente faz.

Quão infinito é o nosso 

sonho ou o nosso

pesadelo.

Dependerá do nosso

cérebro e do nosso

coração.

Um sugere, outro

alimenta.

E disso dependerá

a vida e a morte!

Algo novo

 Eu quero o novo

que tenhas para mim.

Porque enfim, quero

saborear a tua presença

de forma plena,

quero teu algo novo,

Quero teu renovo em mim!

Faz-me ungida

para servir ao

meu senhor...

Algo de essencial

 A menina que eu fui,

morreu.

Onde estará?

Ela desejava crescer

mas nem imaginava

que crescer, desfaria

seus amores e fantasias

infantis.

Pra onde foram

"nós dois"

quando minha infância

morreu?

Algo de essencial, morreu!


MELHORAR O TEMPO

 As cores de agora

são as mesmas

 dos anos passados/

Acho que algumas morreram,

o negro e o cinza

predominaram.

o verde da esperança

amarelou. E o amarelo,

também desbotou.

O arco-íris enfraqueceu?

Eu só desejo novas tintas

para fortalecer minhas cores

e melhorar o tempo...

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