Indagação

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

 Por que não  nos ensinaram

a viver com receitas prontas?

seria mais fácil aprender.

Ou, então, ensinar

a gente inventar.

Seria t~so mais fácil!

Eu criaria um jeito novo

de amar!

SUPOSIÇÔES

 Às vezes sonho.

Às vezes gargalho,

Às vezes até ralho

comigo mesma.

Às vezes olho no espelho

e não me vejo.

Porque vou existindo

para dentro, a cada dia.

A asia me lembra a

indigestão.

Comi vida demais?

Ou morte?

Às vezes acho que sim, 

que morri...

CONTEMPLAÇÃO

 Já contemplou o nada?

Já ficou parado (a),

olhando o vazio....

procurando as cores

e o cinza existindo

persistindo?

Então sabes do que falo.

De um coração sozinho.

De braços sem laços

sem abraço.

É meu dia!

Filosofando

Às vezes o silêncio é

sufocante para 

preencher o texto.

As reticências representam

os suspiros

as inquietações emudecidas.

E quer saber? O grito

não sai. Mas a alma

sabe que me está escoando.

Por que dói tanto

aprender a ser?


Carta à Cecília

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

 Querida amiga das palavras,

portanto, minha amiga!

Hoje li alguns trechos

seus que me comoveram

o coração: você diz que

aprendeu com as primaveras,

a deixar-se cortar e a voltar

inteira, sempre!

Achei tão linda essa entrega

à necessária dor do cotidiano,

para melhorarmo-nos!

E quando dizes que nunca

fez esforço para ganhar nem

se espantou pelo poder, sentí-me

tua irmã! Porque também

concordo que um instante 

é bastante para a vida toda!

Obrigada, porque certamente

as tuas palavras derivaram

algumas minhas. Me motivaste 

a cantar a poesia com a certeza

de que a razão não é tristeza

nem alegria. Simplesmente poesia.

A canção é tudo, aprendi.

Pois tem sangue e asas ritmadas.

E quando estiver muda,

Outros cantarão, nossas palavras!

Ano atípico(2020)

 Houve inverno e verão?

Só lembro que não houve

outono ou primavera.

A cada aniversário

oramos à distância,

e desejamos" felicidades"

pelas redes sociais.

A cada chuva, um riso

de esperança, pensando

possibilidades da água 

corrente,levar o indesejado

invisível!

Houve inverno, sim!

Lembrei do alimento do inimigo.

Mas, e o verão?

Ouvirão a quem pregue

esta esperança? O outono 

subsistirá sozinho?

Os frutos já estão escassos.

É preciso novas flores.

Novas folhas, novo tempo,

esperamos um ano típico

de muita fé! Dois mil e vinte

e um...

Poesia interrogativa

 Alguém pode aconselhar

o mar e convencê-lo a

ser mais compreensivo?

Podem me responder

por que tantas rugas

acompanham os anos?

por que se formam buracos

nas rochas e nas estradas?

E por que às vezes

caímos no próprio caminho?

Será preço ou consequência?

Que diferença haverá

entre resultado e castigo?

Que ciência me instruirá

da vida, se desmedida

 a vivo,  sem saber viver?

As respostas que procuro,

virão, ou tenho de encontrá-las

sozinha? Será por isso,

tanta solidão?

Acordo às vezes no meio

da noite, sem ter adormecido.

E durmo às vezes pela tarde,

sem ter acordado de manhã.

Quem me desvira desse avesso?



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